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2017_AÇAITERIA
31 Jul
Uma história para inspiração
Luciana Faverão. Apaixonada por bolos, apaixonada pela vida!

Apaixonada por doces, a empresária Luciana Faverão lembra-se que aos 5 anos comeu, em um aniversário, bolo prestígio, e desde então prometeu que um dia faria bolos tão bons quanto aquele. “Jamais me esqueci daquele sabor tão maravilhoso! E desde os tempos da escola me comprometi a fazer bolos para as festinhas, ou mesmo nas reuniões de amigas em casa, durante toda a minha adolescência fiz bolos para vários tipos de comemorações, e eu sempre amei isso!” comentou Luciana para nossa reportagem. Confira a entrevista:

 

M!M: Quando você começou a utilizar seu talento para ter lucro de verdade?

Aos 16 anos, junto com um amigo, resolvi vender Ovos de Páscoa. Jamais tinha feito, não havia tutoriais e vídeos mostrando como fazia, mas deu tudo certo! Foi quando me apaixonei em mexer com chocolate, e desde então, todas as Páscoa faço Ovos e vendo aos amigos. Aos poucos comecei a fazer trufas e tortas também, para conseguir uma graninha extra.

Por todos os anos na faculdade (Turismo/Unimep) levei as minhas delicias
para serem vendidas, alias, iniciei o curso porque em sua grade havia Gastronomia, onde estava minha verdadeira paixão! Cheguei até mesmo em ir morar em Campos do Jordão uma época, para fazer a pós-graduação em gastronomia, mas por diversas razões não fiquei por mais de 2 meses.

 

M!M: Como você planejou seu empreendimento?

Em 2009 cursei técnico em administração, na ETEC, no intuito de fazer o projeto da minha Loja de Doces (sempre meu sonho). Eu e minha prima Larissa, fizemos o projeto como
se fosse “real”, ou seja, pesquisamos tudo, nos mínimos detalhes, para que pudéssemos realmente ter algo para depois se concretizar. Afinal de contas, sempre fomos parceiras, a Larissa me ajuda sempre, desde criança. E por todos estes anos vem sendo o meu apoio, em vários sentidos, e não somente na cozinha.

 

M!M: Quando a vida real bate à porta...

Em 2011, com 28 anos, engravidei. Estava em um trabalho tranquilo, numa fase maravilhosa de vida, e em uma relação bacana, mas não era exatamente o que queria naquele momento. Meus pais são bem tradicionais, e sempre ouvi a frase que se uma de nós (somos em 3 meninas em casa) engravidasse, teria que sair de casa.

Meu desespero foi enorme, pois sei que além de não ter nada “concreto” na vida, eu tinha decepcionado os meus pais. Com 4 meses de gravidez o meu relacionamento com o pai do meu filho acabou, e já não havia nenhum equilíbrio emocional, estava totalmente triste, sem chão... chorava todos os dias, e passei o restante da gravidez assim. Fui humilhada, rejeitada e por várias vezes indaguei a Deus porque tamanha crueldade. Não que eu fosse “santa”, mas ouvia o tempo todo, todos me diminuírem por ter engravidado sem ter casado... e isso me doía demais!

Quando João Pedro nasceu percebi que jamais conseguiria nos manter somente com o meu trabalho no escritório do Dr. Hermes Paulo Denis, aliás, uma pessoa que além de chefe, é meu amigo, meu advogado e faz parte da minha família, pois me ajudou a todo momento, sempre foi meu alicerce e meu segundo pai. Então, precisei fazer um plano para ganhar um extra e poder dar uma vida boa ao meu pequeno.

Logo já estávamos na Páscoa, e mesmo com uma criança recém-nascida, tratei logo de fazer os ovos... e decidi, fazer uma propaganda dos bolos, daqueles que eu fazia para o aniversário da minha família e também para os amigos. Jamais imaginei que daria tão certo...

Queria sair da casa dos meus pais e ter o meu cantinho. Já tinha um terreno, mas não tinha um centavo para poder levantar a casa. Com muito sacrifício consegui um tanto para poder erguer a casa e com ajuda de um primo a minha edícula ficou pronta para podermos entrar. Meu filho tinha 1 ano e 4 meses, meus pais estavam chateados por eu querer morar em outro lugar, e havia aquelas conversas de que jamais conseguiria sozinha me bancar, cuidar de filho e casa... além do que, eu jamais conseguiria me sustentar fazendo bolos!

Eram poucos os que se diziam acreditar em mim... e eu mesma, jamais tive duvidas de que seria difícil, mas que eu conseguiria!

Quando nos mudamos para casa fazia por volta de 4 bolos semanais... o que estava ótimo! Já teria como pagar as contas e a construção da casa. Passei por algumas necessidades, não somente em relação ao financeiro, mas também emocional. Sempre foi muito difícil, mas o apoio dos meus pais foi essencial.

 

M!M: Foi depois desta fase de grandes mudanças que os negócios ganharam mais volume?

Quando dei por mim, já estava fazendo 20 bolos semanais... depois 30... 50... e já estava conseguindo comprar coisas para casa, para meu filho e ficar mais tranquila. Hoje mantenho uma média de 50 bolos semanais e trabalho no escritório, e sou grata a todas as etapas que passei, mesmo as mais dolorosas, porque foi com elas que aprendi que o fundo do meu poço tem molas... (risos).

Sou grata aos meus pais e também ao meu chefe Dr. Hermes, que sempre foram o meu apoio nos piores momentos.

Sou grata aos amigos que confiaram e ainda confiam em meu trabalho, sem eles eu jamais conseguiria. Mesmo com tamanho cansaço, porque acordo normalmente as 4h da manhã para poder deixar tudo pronto, e ao chegar do escritório preciso trabalhar mais um pouquinho, não me arrependo de nada. Sei que muitas vezes falhei, que deixei a desejar em vários aspectos, mas eu sempre quis acertar, seja como filha, irmã, mãe ou mesmo profissional. Minhas batalhas diárias são para este fim: o de ser melhor para meu filho e todos ao meu redor.



Texto: Fernando Vasconcellos | Fotos: Lousiani Fotos


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